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a complexidade das falácias

a complexidade das falácias

1. carta à melhor amiga

Esta carta vai ser direccionada á Jane Doe e à V.

 

Jane, muitas cartas já foram escritas uma à outra. Aliás, acho que nunca dediquei tantas palavras a uma amiga do que a ti. Apesar de não nos conhecermos há tanto tempo como eu conheço a V., já passámos por tanto juntas que eu sinto que te conheço há anos.

A verdade é que os nossos amigos vivem intrigados com a maneira como nos conhecemos e praticamente nenhum deles sabe como.

O que eles não sabem é que foi uma ironia do destino que nos juntou. Aliás, foi a paixão pela escrita. Por incrível que pareça foi um blog que nos fez cruzar o mesmo caminho há uns anos atrás. Éramos duas raparigas na pré-adolescência que viviam alimentadas pelos sonhos, pelas inseguranças e pelas paixões típicas da idade. Escrevíamos as nossas experiências, os nossos dias e as nossas preocupações (que na altura considerávamos grandes problemas ao nível mundial!). Eu estava a viver em pleno o meu primeiro amor e tu, uma desconhecida, estavas a acompanhar na primeira pessoa toda esta história. O que eu nunca pensei foi que a pessoa por quem eu me apaixonara estava na mesma cidade que tu e por consequente tu sabias quem eras, até tinhas amigos em comum com ele.

Ninguém diria que ia ser a minha primeira desilusão amorosa que iria dar origem a uma amizade tão grande e sólida como esta e por isso só lhe tenho a agradecer, pois apesar de me ter causado o primeiro desgosto sentimental (de muitos!) ele proporcionou-me a oportunidade de te conhecer.

Depois disto rimos, chorámos, prometemos e confidenciámos mil e uma coisas e tu tornaste-te a minha maior companheira de aventuras, mesmo a quilómetros de distância. E quem diria? Quem diria que nos íamos encontrar, que iríamos construir amizades em comum, que íamos passar passagens de ano juntas? Afinal, há quase seis anos atrás nós éramos duas desconhecidas em duas cidades diferentes.

E foi contigo que eu aprendi a acreditar em coincidências, em destino. Porque para onde quer que vamos nós iremos descobrir sempre que estamos a viver precisamente na cidade em que o amor da outra vive (duas vezes já é demais!), que temos amigos de locais diferentes que são primos, que conhecemos mil pessoas em comum que nunca imaginámos. O mundo nunca é demasiado grande para nós as duas porque de alguma maneira estamos sempre ligadas uma à outra.

Porque és tu que sabes os meus maiores segredos e a pessoa em quem eu mais confio neste mundo, mesmo que não estejas sempre fisicamente presente tu estás sempre ao meu lado à tua maneira. Contigo também aprendi que é possível construirmos amizades sólidas, bonitas, especiais e únicas.

V., já nos conhecemos à quase uma década e só nós sabemos todos os grandes altos e baixos que já vivemos. A verdade é que somos intempestivas, dizemos as coisas sem pensar, agimos por impulso e por causa disso já nos separámos diversas vezes. Já falhámos uma à outra tantas vezes, já nos desiludimos mutuamente das mais variadas maneiras. Já desejei desistir de ti, já desejei dizer-te tudo aquilo que penso de menos bom sobre ti. Somos uma inconstante. Mas apesar de tudo isto tu és a presença constante da minha vida. Proporcionastes as palavras de conforto quando eu mais precisei, estiveste disponível para apurares o teu sentido de humor quando o que eu mais necessitava era soltar uma gargalhada. Foi contigo que eu passei os melhores e os piores momentos da minha vida. É contigo que eu partilho as memórias mais nostálgicas, desde as brincadeiras da infância, a rebeldia da adolescência, os primeiros amores, as primeiras desilusões, os primeiros sonhos, as primeiras experiências, as primeiras saídas á noite, as primeiras bebedeiras, os primeiros passos da nossa (pequena e gradual) independência. É contigo que recordo os episódios mais hilariantes, que construí muitas amizades e que escrevi muitas histórias.

Apesar de tu teres essa maneira particular de ser e de te teres excluído da minha vida durante um determinado tempo, eu nunca me esqueço de tudo aquilo que já fizemos uma pela outra nem de todas as aventuras que já vivemos lado a lado. E já desculpei todos os teus erros. E tu já desculpaste os meus. E do que depender de mim eu hei-de estar presente para sempre. E o para sempre é um conceito muito pesado e importante para mim. Mas hei-de estar sempre nem que seja para te alertar dos constantes erros e disparates que cometes e para nos rimos das consequências deles. Porque eu gosto verdadeiramente de ti e sinto uma necessidade tremenda de te proteger dos teus actos impensados e ajudar-te a encontrar um rumo. Tu és demasiado boa para quem te rodeia e irrita-me que os outros se apercebam desta tua ingenuidade involuntária e se aproveitem da tua boa vontade. Não merecias que te magoassem nas mais variadas situações.

Sinto que ficarão sempre muitas coisas por dizer entre nós porque temos feitios parecidos em muitas coisas e nunca queremos dar o braço a torcer nas mais diversas ocasiões. No entanto, sei que aprendi contigo que independentemente das desilusões, uma amizade quando é verdadeira, sólida e sincera não acaba porque as surpresas agradáveis, a presença constante, as aventuras e os melhores momentos prevalecem ao lado delas. E o que será uma amizade verdadeira sem desavenças parvas?! Expliquem-me, é que eu não sei!

Por tudo isto, considero-vos às duas das pessoas mais importantes da minha vida. 

 

PS: Dada à extensão da carta eu desculpo quem não a consiga ler até ao fim...seus preguiçosos(as)! Ahahah. 

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