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a complexidade das falácias

a complexidade das falácias

a presença da estranheza numa existência

Li aquela carta que te enviei á uns meses. Senti-me ridícula por ter tido a coragem e a ousadia infantil de ta enviar. De qualquer das maneiras tu até foste mais receptível às minhas palavras do que inicialmente esperara. Talvez porque te apercebeste da sinceridade que eu depositei em cada palavra. Talvez porque te apercebeste que eu estava verdadeiramente apaixonada e independentemente dos teus sentimentos, eu não merecia aquela abordagem da tua parte (ou a falta dela).

Foram tantos os textos que já te escrevi. Tantas foram também as analogias que utilizei para ilustrar a nossa história. Mas nunca nenhuma conseguiu colori-la o suficiente.

Hoje em dia tornaste-te um tabu nos meus dias. Só consigo ser sincera através destas cartas porque tenho receio de tocar no teu nome em voz alta e ficar presa às recordações, mergulhar num estado de letargia mental.  É uma sinceridade cobarde.

É estranho passar os dias sem sentir que o meu coração vai sair disparado do meu corpo cada vez que ouvia a tua voz ou combinávamos um encontro, sem me rir das tuas brincadeiras. É estranho não me sentir irritada com as tuas respostas menos elaboradas, não começar o dia com o teu “bom dia” ou deitar a cabeça na almofada e adormecer com a certeza de que independentemente do lugar onde estejas tu fazes parte da minha vida.

É estranho saber que o meu amor se tornou um nevoeiro.

Não é estranho respeitar que és feliz com outra pessoa mas é tão dificilmente estranho saber que te esqueceste de tudo sobre nós de forma seca e crua.

Porque é que insistimos em prometer tudo aquilo que nunca iremos cumprir?

No fundo é estranho fingir que tu não existes algures por esse Portugal fora. Não poder encontrar-te no virar de uma esquina e poder dizer-te “Sei viver sem ti. Vai á merda, adeus.”

Mas “primeiro estranha-se, depois entranha-se”.  

 

Desculpem o grau de nostalgia e de relativa tristeza (ou mais conhecido por "síndrome do desgosto amoroso rídiculo dessa fase tão linda que é a adolescência") que paira neste blog. Tem sido uma semana complicada mas a Mia vai voltar em força, descansem!

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