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a complexidade das falácias

a complexidade das falácias

tudo o que escrevo são eufemismos

Tudo começa com uma troca de opiniões mais acesa e tudo acaba com uma discussão em que se ameaça que se vai bater com a porta. No fundo posso utilizar a analogia de um chão coberto de minas prestes a explodir ao mínimo "senão" ou à mínima desavença. Eu juro que procuro dentro de mim todas as razões para ser tolerante e racional contigo mas como é que o posso ser se sinto que tudo em ti me soa a incoerência e utopias? Por e simplesmente não respeitas as opiniões opostas às tuas e por isso quem não está contigo está contra ti. Mas eu vou desistir de tentar atingir este objectivo que é o de te compreender. Da minha parte vais ter toda a incompreensão do mundo, a mesma que tens comigo. Porque tu nunca foste altruísta o suficiente para te colocares no meu lugar uma vez que fosse. Pelas mais diversas razões, não me apetece falar contigo nos próximos meses e desta vez sinto que não é passageiro. Simplesmente já me cansei de tentar compreender uma pessoa que não se compreende a si própria. Quero viver a minha vida o mais longe possível das tuas ideologias, dos teus planos e das tuas decisões. Quero que percebas de uma vez por todas que não estou a ter uma crise hormonal típica desse mundo complexo e louco que é a adolescência. Eu quero apenas construir o meu futuro à minha maneira e sem interferências de terceiros. Essencialmente sem interferências tuas. 

"o que há em mim é sobretudo cansaço"*

Não me sinto preparada para entrar numa relação. O ressentimento ainda está muito à flor da pele e a insegurança, arrependimento e as saudades ainda interferem bastante nos meus dias. Contudo, estou frágil e isso é perigoso. Sei que quando se proporcionar eu vou deixar-me levar pelas situações. Não que me atire para os braços do primeiro homem que me aparecer à frente claro, mas sei que se ele for cuidadoso e selectivo nas palavras que eu me vou deixar toldar pela estupidez e ingenuidade mais facilmente que noutra altura específica. Preciso de ouvir palavras reconfortantes mas tenho medo de me voltar a apaixonar. Talvez já nem se trate de medo mas sim de cansaço. Cansaço de dar sem receber. Cansaço de conversas sem retorno, em que nunca irei ouvir as respostas que quero. Cansaço da bipolaridade masculina e do mundo complexo que os envolve. 

 

* Álvaro de Campos