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a complexidade das falácias

a complexidade das falácias

o tempo muda-nos

Por vezes fazes-me pensar que as coisas nunca voltarão a ser como antes. As gargalhadas frenéticas, os textos escritos cada vez que uma de nós estava a passar um mau momento, as ambições e os sonhos partilhados, os segredos e confidências no início da manhã e pela noite dentro. Tudo isto se perdeu num passado próximo.

É verdade que as circunstâncias e o meio em que vivemos muda as pessoas ao longo da vida. Tu és a prova disso. Sinto que a cada ano que passa te conheço menos. Não sei do que gostas, não sei o que pretendes, não sei o que receias. Dizes que queres te queres reaproximar mas afastas-te sempre. E é estranho. Julgava que eras a pessoa que eu melhor conhecia, por isso é que desde sempre te chamei melhor amiga. Vivemos tudo juntas... A primeira paixão arrebatadora, o primeiro desgosto funesto, o primeiro acto de uma rebeldia impulsionada pela recente adolescência, o primeiro erro irreversível. Fomos a espectadora uma da outra de muitos momentos marcantes na vida de cada uma.

Talvez eu também tenha mudado e não me tenha consciencializado dessa mudança. Talvez. Só gostava de te mostrar os bons momentos que passámos outrora para que os pudesses recordar com a alegria com que eu me recordo. Gosto de ti e gostava que soubesses isso sem que fosse necessário que alguém te recordasse.

noites de lisboa

No Sábado passado estava uma noite sublime. Por momentos relembrei as noites de Verão, quando as esplanadas se encontram cheias de gente e cujas conversas se centram em temas tão leves como os festivais, as idas à praia e festas. Os cabelos voam sob a brisa quente, o vento passa pelas camisolas frescas e os pés pisam o chão através do vans calçados. 

Fui ter com a V. e com o R no Sábado à noite. Não tinha grandes expectativas. Seria uma noite igual a todas as outras as que têm sido nos últimos meses, ou seja, entediante. Já há muito que deixámos de nos saber divertir. Sabíamos fazê-lo melhor que ninguém quando tínhamos 14, 15 ou 16 anos mas agora que começamos a sair da adolescência parece que eles só entendem por diversão a noite, copos ou o Bairro Alto. E foi precisamente isso que fizemos. À meia-noite eles tiveram a ideia luminosa de nos irmos meter no Bairro Alto. Como eu já estava farta de estar por aqui decidi aceitar o plano na esperança de fugir a esta rotina.

Estava cheio. Está quase sempre, mas para ser sincera as ruas estavam lotadas e era quase impossível andar com os próprios pés no chão. As luzes, o calor e a música permitem sentir toda a atmosfera de festa que paira no ar. Apetecia-me dançar, rir e sorrir. Lisboa tem este encanto.

No entanto, começo a ficar saturada das piadas ordinárias ou dos toques alheios no meio da multidão. Eu sei que sempre foi assim mas não consigo de me deixar de sentir repugnada por certos comportamentos a que assisto na noite Lisboeta. Estou mais que habituada ao clima de "engate" nestas saídas mas acho excessivo que homens de cinquenta anos tenham a ousadia de se meterem com miúdas de dezoito ou dezanove anos. Claro que tenho histórias giras sobre noites em Lisboa. Conversas com bêbados singulares cheios de vontade de falar sobre o sentido da vida ou de filosofias sobre relações, rapazes simpáticos e cheios de sentido de humor ou raparigas que davam belas comediantes. Mas apesar disto há sempre muita decadência. Não sou ninguém para ditar moralismos. Só acho que a nossa geração vive de excessos e toda a gente sabe que tudo o que é demais não é saudável.

Tenho saudades de ver amores a surgirem nestas noites. Tomei conhecimento de alguns casos de namoros de anos que começaram numa noite de Santo António em Lisboa por exemplo. Falo de amores inocentes. Da troca de olhares discretos à distância e uma conversa tímida impulsionada pelo copo de vodka que se bebeu à cinco minutos atrás. Não falo de casos de uma noite porque esses não me interessam para nada. Tudo isto leva-me a concluir de que já não há amores como os antigos.

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