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a complexidade das falácias

a complexidade das falácias

aspirações

Como já é de conhecimento geral, no próximo ano lectivo pretendo ingressar no curso de Jornalismo.  

Durante toda a minha vida só me lembro de ter ambicionado ser pediatra, algo que durou até aos meus oito ou nove anos e a partir daí sempre disse que queria ser jornalista e escritora.

Desde muito pequena que adoro ler. Recordo-me plenamente de ter uma paixão grande por todos os livros da Sophia de Mello Breyner. Envolvia-me na leitura e era como se o meu mundo se transformasse. Toda a fantasia descrita na “Fada Oriana”, na “Menina do Mar” ou no “Cavaleiro da Dinamarca” causavam-me um fascínio perpétuo. Sei que foi a partir destes livros que comecei a desenvolver textos e a escrever todos os dias e daí em diante ganhei o sonho de publicar um livro.

Quando entrei na adolescência comecei a deixar as leituras um pouco de parte uma vez que comecei a descobrir todo um mundo novo e uma série de parvoíces desinteressantes. Mesmo assim criei muitos blogues que mantive durante anos mas por regra geral escrevia com mais frequência quando me sentia inquieta com algum assunto.

Apesar disto, sempre que apanhava um papel em branco tinha por hábito escrever várias prosas ou então escrevia reflexões sobre determinadas citações que tinha visto num livro, numa revista ou num simples muro das ruas de Lisboa, algo que ainda acontece hoje em dia.

Não consigo compreender as pessoas que me dizem que abominam ler e que os únicos livros que leram foram na escola. Eu acho que os livros são uma parte fundamental da nossa vida, pelo menos da minha sempre foram.

Por todas estas razões ando empenhada nos estudos, melhorar as notas e gerir o nervosismo que envolve as minhas decisões que irão determinar o meu futuro nos próximos três anos. É claro que eu preferia estudar fora, até porque como já escrevi muitas vezes aqui, sinto-me saturada desta cidade e sendo eu um ser estranho que vive com a vontade permanente de sair da zona de conforto, vivo com o sonho de que um dia vou viver e estudar para bem longe daqui. No entanto, devido a mil e uma razões, tal não me vai ser possível pelo que terei que aproveitar os meus dias de universitária à minha maneira.

conflito interior

Vivo um permanente conflito interior no qual projecto todos os meus defeitos. Quando critico e condeno as atitudes de alguém para comigo sei que no fundo da minha existência, eu culpo-me pelas consequências que advertiram de determinado acontecimento. Sei que se alguém errar comigo eu vou acabar por direccionar a responsabilidade e a culpa para mim própria mesmo quando eu não sou a responsável e a culpada.

Sei que devia parar de me estigmatizar. Devia parar de contabilizar mentalmente todas as frases que me saem mal e todos os actos falhados. Sei que exerço uma pressão irrefutável sobre mim e que exijo tudo da minha alma. Tenho que parar de pensar que posso ter controlo sobre tudo porque quando algo foge a esse controlo eu sinto-me uma errante.

Isto acontece quando esboço simples palavras num papel e no final rasgo a folha porque nada do que escrevi faz sentido o suficiente para mim. E porque é que eu procuro de maneira inflamada e urgente um sentido puro e profundo para todos os fenómenos da vida?

Ultimamente tenho-me dedicado a introspecções sobre o meu passado que influenciou o que eu sou hoje e dou por mim a planificar o futuro para que me consiga tornar naquilo que eu pretendo ser. Quero polir as minhas arestas. Quero apenas tornar-me uma pessoa melhor. Vou acabar com as exigências interiores e viver através dos sonhos porque são os sonhos e a vontade de os realizar, mesmo que nunca se realizem, que nos tornam pessoas felizes. Não é necessário concretizar o sonho porque quando nos alimentamos dos fragmentos daquilo que desejamos ardentemente nós encontramos aquilo pelo qual procuramos todos os dias: o sentido da vida.