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a complexidade das falácias

a complexidade das falácias

psicologia verbal*

As palavras são biografias das emoções vividas. Os olhos são lentes da alma e a visão é turva devido à incongruência dos diálogos recordados. E ainda existe delicadeza nas palavras escolhidas apesar de me sentir fria como uma pedra numa manhã de nevoeiro. A minha ideologia é a de que nos podemos apaixonar pelas coisas da vida sem precisarmos de alguém. Apaixonarmo-nos por pequenas coisas como um olhar retraído que vai dar origem a uma história de amor ou a um acenar à distância que vai ditar o adeus de um capítulo.

Ele nunca a amou. Porque o amor é um copo meio cheio de nada. Porque a comunicação se tornou nefasta e estas palavras sem nexo significam a descrença. Descrença nas pessoas, na entrega e em tudo o que disto pode advir. Os impulsos são traiçoeiros por isso vou cumprir a minha justa pena.  

 

 

*expressão carinhosamente retirada do "Livro do Desassossego".

dactilografar

Gostava que um dia descobrisses o porquê da minha necessidade de metaforizar tudo. Talvez nunca tenhas pensado na possibilidade de os eufemismos não serem ténues o suficiente para mim. Aprendi a proteger-me com a ironia e com o sarcasmo e essa aprendizagem fez de mim aquela pessoa que vive no meio de figuras de estilo. E é ligeiramente complicado viver num mundo despersonalizado mas tratam-se de mecanismos inatos. Gostava de ser transparente mas a história conta que foi a transparência que exorcizou as imperfeições e os arrependimentos. Sei que os paradoxos dão cabo da vida e são absurdos mas é assim. Vou dactilografar até gastar os dedos. Até as palavras não caberem mais em mim. Mas eu nem acredito na teoria do dualismo por isso se o corpo morrer é porque desapareceu.  

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