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a complexidade das falácias

a complexidade das falácias

conflito interior

Vivo um permanente conflito interior no qual projecto todos os meus defeitos. Quando critico e condeno as atitudes de alguém para comigo sei que no fundo da minha existência, eu culpo-me pelas consequências que advertiram de determinado acontecimento. Sei que se alguém errar comigo eu vou acabar por direccionar a responsabilidade e a culpa para mim própria mesmo quando eu não sou a responsável e a culpada.

Sei que devia parar de me estigmatizar. Devia parar de contabilizar mentalmente todas as frases que me saem mal e todos os actos falhados. Sei que exerço uma pressão irrefutável sobre mim e que exijo tudo da minha alma. Tenho que parar de pensar que posso ter controlo sobre tudo porque quando algo foge a esse controlo eu sinto-me uma errante.

Isto acontece quando esboço simples palavras num papel e no final rasgo a folha porque nada do que escrevi faz sentido o suficiente para mim. E porque é que eu procuro de maneira inflamada e urgente um sentido puro e profundo para todos os fenómenos da vida?

Ultimamente tenho-me dedicado a introspecções sobre o meu passado que influenciou o que eu sou hoje e dou por mim a planificar o futuro para que me consiga tornar naquilo que eu pretendo ser. Quero polir as minhas arestas. Quero apenas tornar-me uma pessoa melhor. Vou acabar com as exigências interiores e viver através dos sonhos porque são os sonhos e a vontade de os realizar, mesmo que nunca se realizem, que nos tornam pessoas felizes. Não é necessário concretizar o sonho porque quando nos alimentamos dos fragmentos daquilo que desejamos ardentemente nós encontramos aquilo pelo qual procuramos todos os dias: o sentido da vida. 

"o que há em mim é sobretudo cansaço"*

Não me sinto preparada para entrar numa relação. O ressentimento ainda está muito à flor da pele e a insegurança, arrependimento e as saudades ainda interferem bastante nos meus dias. Contudo, estou frágil e isso é perigoso. Sei que quando se proporcionar eu vou deixar-me levar pelas situações. Não que me atire para os braços do primeiro homem que me aparecer à frente claro, mas sei que se ele for cuidadoso e selectivo nas palavras que eu me vou deixar toldar pela estupidez e ingenuidade mais facilmente que noutra altura específica. Preciso de ouvir palavras reconfortantes mas tenho medo de me voltar a apaixonar. Talvez já nem se trate de medo mas sim de cansaço. Cansaço de dar sem receber. Cansaço de conversas sem retorno, em que nunca irei ouvir as respostas que quero. Cansaço da bipolaridade masculina e do mundo complexo que os envolve. 

 

* Álvaro de Campos