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a complexidade das falácias

a complexidade das falácias

histórias verídicas

É neste dia particularmente chuvoso, cinzento e melancólico que dou por mim a escrever sobre o Verão.

Eu sou conhecida pelas minhas estranhas peculiaridades que quase ninguém compreende. Desde sempre que me lembro que adoro o Inverno. Adoro a chuva. Tem um efeito calmante em mim, o que me permite ter paz para reflectir e pensar sobre tudo. Também gosto do frio que proporciona aquelas tardes no calor acolhedor de uma manta, sentados no sofá a ver um filme ou a ler um simples livro. Gosto dos casacos, gosto dos cachecóis e dos gorros. Gosto de todo o mistério que está envolto no nevoeiro matinal, no silêncio da chuva e no movimento do vento.

Mas apesar disto hoje senti falta do Verão. Aliás, senti falta de tudo aquilo que o Verão tem significado para mim nos últimos três anos.

Sinto falta da sensação de que os dias não têm horas suficientes para viver a intensidade dos mil e um acontecimentos que me rodeiam nessa época, de ter a meu cargo a tarefa fantástica de me lembrar dos nomes das mil e uma pessoas que eu vou conhecendo ao longo dos dias e das noites.  Sinto falta das noites de sorrisos, de dança frenética ao som das músicas mais alegres, noites em que ninguém pára e em que ninguém é comprometido e toda a gente é permitida a sorrir minuciosamente, a lançar um olhar insinuoso à pessoa que sobressaiu aos seus olhos no meio da multidão. As paixões fugazes de Verão. Sinto falta dos episódios hilariantes provenientes de quem já bebeu mais do que o suposto, de não ter horas para chegar a casa, de nos descalçarmos na rua para não fazermos barulho a entrar em casa. Da pele morena e dos cabelos ao vento durante as caminhadas pelos campos, das conversas surreais e hilariantes que irrompem pelo dia e pela noite fora. Dos segredos escondidos e revelados. Das gargalhadas ingénuas mas verdadeiras.

No Verão somos mais felizes. Toda aquela rotina diária que nos desgasta mental e fisicamente durante o ano é substituída por um rol de histórias e de aventuras. Oh e como eu sinto falta de me aventurar…De me mandar de cabeça, de agir por impulso e de sentir a adrenalina do imprudente. De ter consciência que estou a ser uma grande idiota e que as minhas atitudes vão dar origem a consequências que mais tarde vão pesar mas mesmo assim não querer saber e arriscar porque nada substitui as emoções do momento.

Eu só quero mais um Verão como aqueles que passaram. Ou talvez ainda melhores. 

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